Trombose Venosa Profunda

Esta situação, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, é responsável por significativa mortalidade e morbilidade. Ocorre mais frequentemente nas veias da perna e nomeadamente à esquerda. A maioria dos doentes não apresenta sintomas, mas quando estes estão presentes os mais frequentes são a dor, edema, sensação de peso, alteração da coloração e da temperatura do membro, incapacidade funcional parcial, que se instalam habitualmente de forma súbita. Este quadro clínico pode progredir no sentido ascendente e tem como principais complicações na fase aguda a embolia pulmonar e a gangrena venosa, que pode levar à amputação do membro e a elevada mortalidade. Na fase tardia, a complicação mais frequente é a síndrome pós-trombótica que causa enorme repercussão social e laboral, e que se pode caracterizar por dermatite pigmentada principalmente na perna, lipodermosclerose, edema de predomínio vespertino, varizes dos membros inferiores e úlcera ativa ou cicatrizada. O exame diagnóstico de confirmação mais frequentemente utilizado, por ter elevada sensibilidade, especificidade e não ser invasivo é o ecodoppler ou angiodinografia venosa.

Alguns fatores de risco importantes são: idade avançada, gravidez, uso de contraceptivos orais, obesidade, varizes dos membros inferiores, neoplasia, traumatismo e estados de hipercoagulabilidade. Quando em presença destes últimos poderá ser necessário efetuar estudo genético, e se positivo, estudar também irmãos e filhos para prevenção. O tratamento em fase aguda e de manutenção, pelo menos por 3 a 6 meses, está assente fundamentalmente na anticoagulação. Os fármacos de primeira linha incluem os novos anticoagulantes orais e nalgumas situações heparina de baixo peso molecular.

Atualmente é possível tratar a grande maioria dos doentes em ambulatório, só sendo necessário internamento em situações muito específicas. Esta patologia exige vigilância médica especializada regular e controlo ecográfico periódico de acordo com o quadro clínico.