A hiperhidrose é uma doença benigna que se caracteriza por uma sudorese (transpiração) excessiva. O suor é um mecanismo essencial para a regulação da temperatura do nosso organismo, sendo controlado pelo Sistema Nervoso Autónomo e como tal não dependente da nossa vontade. Quando a produção de suor ultrapassa as normais necessidades de termo-regulação, o que acontece em cerca de 1% da população geral, causa grandes incómodos aos seus portadores. Aparece habitualmente na infância, mais frequentemente no sexo feminino, e tem tendência a agravamento dos sintomas na fase da puberdade.
Manifesta-se habitualmente por uma sudorese excessiva das palmas das mãos, axilas, plantas dos pés, região dorsal inferior e face (por vezes associado a rubor intenso), em conjunto ou com predomínio acentuado de uma região em particular. Este quadro, particularmente quando o predomínio se verifica nas palmas das mãos e axilas, altera a forma como estes doentes se relacionam com o “mundo exterior”. Com efeito, estas pessoas têm dificuldade no contacto social, evitam escrever porque molham o papel, evitam cumprimentar as pessoas, pegar em objectos, trabalhar no computador, conduzir porque têm medo que o volante fique escorregadio. Mancham frequentemente a roupa (aparecimento de auréola a nível axilar), molham as meias que permanecem húmidas ao longo do dia, não gostam de usar sandálias ou sapatos abertos porque são visíveis as manchas de suor. Todo este quadro, que se agrava pelo calor e stress e cessa durante o sono, pode causar transtornos psicológicos graves, uma vez que há uma tendência para o isolamento social para esconder o problema.
Por tudo o que já foi exposto resulta que a hiperhidrose é mais importante e mais difícil de tolerar quando é mais acentuada a nível das palmas das mãos e axilas. Também é nestas zonas que o tratamento é mais simples e eficaz. Quando se pretende um tratamento definitivo, este consiste na simpaticectomia torácica superior que consiste na remoção de fibras do sistema nervoso autónomo responsáveis pela inervação destas zonas e situadas na cavidade torácica. Este procedimento é efectuado no mesmo tempo cirúrgico para os dois lados, através de um ou dois pequenos orifícios (1 cm) na zona da axila (vídeo-toracoscopia), o que resulta muito bem do ponto de vista estético. O resultado é imediato e o doente tem alta no próprio dia ou no dia seguinte com as mãos completamente secas e preparado para regressar à sua vida normal, sem limitações. Há uma percentagem significativa de doentes que refere uma redução acentuada da sudorese a nível da planta dos pés. Também se pode verificar em determinados casos o aparecimento do fenómeno de “hiperhidrose compensatória”, assunto que deve ser previamente abordado com o cirurgião.