O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade em Portugal e a obstrução grave das artérias carótidas (artérias que irrigam o cérebro) uma das suas causas mais frequentes.
Na prevenção do AVC são medidas fundamentais, entre outras, a deteção e o controlo da hipertensão arterial, a anticoagulação em doentes com fibrilação auricular e a identificação e tratamento de obstruções dos grandes vasos cerebrais como as carótidas.
A doença carotídea cursa frequentemente sem sintomas, mesmo na presença de lesão grave. Por vezes manifesta-se através de alterações transitórias como perda de força num membro, desvio do lábio, alteração da fala, perda de visão, desmaio e queda. A recuperação destas alterações pode ocorrer no espaço de minutos e não deixar sequelas aparentes. Mas não deve deixar de ser considerado um aviso sério. Outras vezes, em muitos casos, manifesta-se logo através de AVC que pode matar ou deixar o doente paralisado, sem fala, acamado. Nestas situações a recuperação é muito lenta, com o doente inicialmente internado e depois em ambulatório, com muitas sessões de fisioterapia e resultado frequentemente aquém do desejado, com perdas funcionais permanentes e perturbação significativa da qualidade de vida.
Assim, é importante fazer o diagnóstico precoce da obstrução carotídea com o objetivo de prevenir o AVC ou mesmo da sua recorrência que frequentemente é fatal. Atualmente, o diagnóstico é efetuado por eco-Doppler cerebrovascular, com estudo das artérias carótidas e vertebrais.
Na presença de estenose carotídea grave deve ser sempre instituído tratamento médico (farmacológico) apropriado e ponderada intervenção cirúrgica que consiste na remoção da lesão e desobstrução da artéria.
À semelhança de outras áreas, também na cirurgia carotídea se tem evoluído no sentido de tratar a obstrução de forma menos invasiva, menos traumática e com menor tempo de recuperação. É hoje usual a intervenção ser efetuada com anestesia local através de uma incisão bastante reduzida.