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Os doentes com varizes dos membros inferiores têm como sintomas mais frequentes o desconforto, a sensação de cansaço e peso nas pernas, edemas maleolares (tornozelos), parestesias (formigueiros), eczema localizado (comichão). Estas manifestações são mais evidentes ao fim do dia e agravam-se com o calor. Por vezes os doentes não apresentam sintomatologia importante mas têm preocupações do ponto de vista estético. As complicações mais frequentes associadas a varizes dos membros inferiores são: trombose venosa superficial (é a vulgar tromboflebite que se caracteriza por dor, rubor, calor e tumefação em zona que previamente era ocupada por uma variz; esta situação de “flebite” por vezes evolui para trombose venosa profunda que pode ser grave porque pode originar embolia pulmonar), varicorragia (é uma hemorragia por rotura de uma variz, espontânea ou após traumatismo, que pode ser grave se não for efetuada uma compressão imediata), lipodermatosclerose (com o evoluir do quadro clínico a perna, principalmente na parte mais inferior, vai ficando mais escura e dura; muitas vezes esta situação favorece o aparecimento de infeções de pele, a vulgar erisipela, que vai deixando marcas definitivas), úlcera venosa (aparece mais frequentemente na região junto ao maléolo medial, no tornozelo).
O tratamento depende do tipo de varizes que o doente apresenta. Para além de vários cuidados fleboposturais (ver conselhos úteis), o doente pode necessitar de usar meia elástica e efetuar escleroterapia ou intervenção cirúrgica. Na grande maioria dos casos é necessário um EcoDoppler venoso dos membros inferiores para rastreio e confirmação do diagnóstico. O tratamento esclerosante de varizes pode ser efetuado por injeção de agentes químicos (continua a ser a fórmula de escleroterapia que oferece melhores resultados e tem aplicação na grande maioria dos doentes) ou por laser (muitas vezes referido em folhetos de publicidade mas ainda sem a qualidade de resultados que a escleroterapia química apresenta; aplicável numa minoria de doentes e somente em centros especializados com Cirurgiões Vasculares porque por vezes deixa marcas definitivas muito penalizadoras do ponto de vista estético). A escleroterapia tem indicação isoladamente como terapêutica estética primária ou como complemento de cirurgia prévia. Quando o doente tem indicação cirúrgica é fundamental a qualidade do EcoDoppler para uma marcação precisa das varizes a operar, sendo esta uma tecnologia a usar obrigatoriamente no dia da intervenção. Atualmente a cirurgia de varizes deve ser realizada através de técnicas minimamente invasivas, é muito gratificante para o doente que tem alta no mesmo dia com indicação para retomar a sua rotina progressivamente, não necessitando de estar acamado, devendo deambular normalmente somente com meia elástica, fazendo o penso após 5-7 dias mas sem necessidade de retirar pontos porque na grande maioria dos doentes é possível efetuar cirurgia estética com pequenas incisões e sem pontos externos. O uso de meia elástica após a operação pode ser necessário durante 1 semana, dependendo do quadro clínico. Apesar da atual qualidade terapêutica cirúrgica e esclerosante é importante uma vigilância periódica regular para prevenção de futuros eventos, uma vez que se trata de uma doença crónica evolutiva que necessita de cuidados continuados.

1. Exercitar as pernas frequentemente

As posições prolongadas de pé e sentada (particularmente as pernas cruzadas) devem ser evitadas, uma vez que conduzem à estase e insuficiência venosa. O peso do sangue pela gravidade e a falta de exercício favorecem a estagnação do sangue nas veias. Caso a sua atividade profissional favoreça estas posições estáticas, é conveniente alternar com vários períodos de marcha e movimentos circulares repetidos com os pés. Do mesmo modo, durante longas viagens de carro, autocarro, comboio ou avião, e sempre que possível, deve andar um pouco para favorecer a circulação do sangue nas veias.

2. Evitar lugares quentes

As variações de temperatura modificam o comportamento e funcionamento das veias. O aumento de calor nas pernas condiciona dilatação das veias e consequentemente uma diminuição da circulação venosa. Devem ser evitadas, ou diminuídas, todas as formas de exposição intensa ao calor: exposição solar particularmente no Verão, depilação com cera quente, banhos quentes, sauna e vestuário muito quente.

3. Procurar lugares frescos

O frio é importante porque favorece a contração das veias. O banho com água fria nas pernas alivia a sensação de peso e dor que se manifesta principalmente ao fim do dia. Como sugestão, particularmente na praia, deve caminhar à borda da água, em que associa o exercício com exposição a uma temperatura mais baixa.

4. Usar vestuário e sapatos apropriados

O vestuário apertado, que é diferente da meia elástica, comprime as veias e pode bloquear a circulação do sangue nas pernas. Deve escolher roupas confortáveis e largas, evitando as calças muito estreitas ou cintos apertados.
Os sapatos de salto alto reduzem a superfície de apoio do pé, tal como os sapatos rasos aumentam demasiado essa superfície, o que diminui a circulação do sangue dos pés para as pernas. Por isso, sapatos com 3-4 cm de altura são os mais aconselháveis.

5. Praticar um desporto apropriado

A prática regular e com sapatos apropriados da marcha a pé, é a atividade mais benéfica para a circulação venosa. A planta dos pés, sendo bastante enriquecida em plexos venosos, funciona como uma bomba que movimenta o sangue. A cada passo, comprime essas veias dos pés, o que impulsiona o sangue para cima até às pernas. Depois, a contração dos músculos da perna favorece a subida do sangue até ao coração. A prática da natação também é excelente, tal como a ginástica, ciclismo, dança ou golfe. Por outro lado, são menos indicados os desportos que obrigam a movimentos bruscos, como o ténis, basquetebol ou squash.

6. Evitar o excesso de peso

O excesso de peso, tal como a prisão de ventre são fatores que potencialmente aumentam a pressão venosa. Para evitar estes problemas deve fazer uma alimentação equilibrada, rica em fibras e uma boa hidratação.

7. Cuidados nocturnos

Após o banho noturno, a massagem das pernas, de baixo para cima, melhora a circulação do sangue para o coração. Antes de adormecer é conveniente fazer alguns movimentos de pedalar. Para dormir pode ser benéfico a cama ter os pés elevados 10-15 cm.

8. Uso regular de meia elástica

O uso regular de meia elástica ou simplesmente de descanso, deve ser sempre indicado por prescrição médica. De facto, existem meias com diferentes tipos de compressão pelo que estas devem estar adaptadas ao quadro clínico específico de cada doente. A meia deve ser colocada logo de manhã, ao acordar, ainda deitado na cama, e usar ao longo do dia. É importante referir que por vezes, doentes com “dor nas pernas” estão absolutamente proibidos de usar qualquer tipo de meia porque são portadores de outras doenças que não a doença venosa crónica dos membros inferiores.

O termo aneurisma provém do grego e significa dilatação, e aplica-se sempre que há um aumento irreversível do diâmetro normal das artérias. Carateriza-se por tumefação mais ou menos volumosa, pulsátil e com expansão, isto é, uma variação de diâmetro síncrona com a pulsação arterial.
A doença aneurismática resulta de uma fraqueza estrutural da parede arterial, nomeadamente da túnica média, e a sua causa mais frequente é a aterosclerose. Nestas situações tem em regra uma distribuição focal, com localizações preferenciais na aorta abdominal infra-renal e na artéria poplítea.
O aneurisma da aorta abdominal (AAA) infra-renal é uma doença relativamente frequente, denominando-se como tal sempre que a dilatação for superior a 3,0 cm.
É mais frequente a partir dos 65 anos, mais comum no sexo masculino e a sua prevalência é maior em doentes com hábitos tabágicos, com história familiar, com doença coronária ou doença arterial oclusiva periférica e em portadores de aneurismas periféricos.
Se a prevalência na população portuguesa for semelhante à de outros países europeus, poder-se-á admitir que poderá haver cerca de 500 novos casos por ano, com tendência a aumentar, consequência do progressivo envelhecimento da população.
A sua importância clínica deriva essencialmente da irreversibilidade da dilatação arterial e do seu carácter progressivo, a qual pode conduzir à rotura, situação fatal se não tratada cirurgicamente, e associada a mortalidade elevada (mais de 60% nas melhores séries publicadas), o que contrasta com um risco cirúrgico mínimo (menor que 1%) quando o aneurisma da aorta é tratado de forma programada.
O AAA infra-renal é na maioria dos casos assintomático; raramente causa dor abdominal e/ou lombar e, em um terço dos casos, a sua primeira manifestação clínica pode ser a rotura.
Esta complicação parece associada com maior frequência a aneurismas da aorta com diâmetro superior a 5,0 cm, embora existam frequentes casos de doentes operados por rotura de aneurismas de menor dimensão. A presença de dor, espontânea ou à palpação é um sintoma desfavorável, que pode estar associado à expansão do aneurisma e/ou a fenómenos de fissuração parietal sem rotura franca.
Por vezes o aneurisma pode determinar fenómenos de embolização arterial com isquemia, aguda ou crónica, consequência da fragmentação do trombo intra-sacular.
O diagnóstico precoce é essencial, de modo a possibilitar um tratamento eficaz, nas melhores condições clínicas possíveis, reduzindo o risco de rotura e, assim, contribuir para diminuir a mortalidade associada quer à patologia quer à sua correção.
O tratamento habitual do AAA é cirúrgico e o seu objectivo é excluir o aneurisma da circulação, assegurando a continuidade desta pela interposição de enxerto arterial. Os resultados são bons, duradouros, com um risco cirúrgico cada vez menor, graças ao desenvolvimento das novas tecnologias, da anestesia e dos cuidados pós-operatórios.
O desenvolvimento das novas endopróteses – designação dos enxertos utilizados -, as quais são colocadas por cateterismo arterial, e libertadas de modo a excluir o saco aneurismático da circulação através de duas pequenas incisões nas virilhas, tem sido espetacular e conduziu ao aparecimento de endoenxertos eficazes, com durabilidade a longo prazo comparável à da cirurgia convencional.
Quer a reparação cirúrgica convencional, como a reparação endovascular apresentam vantagens e desvantagens, pelo que a indicação terapêutica deve ser adaptada à situação clínica específica de cada doente.

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade em Portugal e a obstrução grave das artérias carótidas (artérias que irrigam o cérebro) uma das suas causas mais frequentes.
Na prevenção do AVC são medidas fundamentais, entre outras, a deteção e o controlo da hipertensão arterial, a anticoagulação em doentes com fibrilação auricular e a identificação e tratamento de obstruções dos grandes vasos cerebrais como as carótidas.
A doença carotídea cursa frequentemente sem sintomas, mesmo na presença de lesão grave. Por vezes manifesta-se através de alterações transitórias como perda de força num membro, desvio do lábio, alteração da fala, perda de visão, desmaio e queda. A recuperação destas alterações pode ocorrer no espaço de minutos e não deixar sequelas aparentes. Mas não deve deixar de ser considerado um aviso sério. Outras vezes, em muitos casos, manifesta-se logo através de AVC que pode matar ou deixar o doente paralisado, sem fala, acamado. Nestas situações a recuperação é muito lenta, com o doente inicialmente internado e depois em ambulatório, com muitas sessões de fisioterapia e resultado frequentemente aquém do desejado, com perdas funcionais permanentes e perturbação significativa da qualidade de vida.
Assim, é importante fazer o diagnóstico precoce da obstrução carotídea com o objetivo de prevenir o AVC ou mesmo da sua recorrência que frequentemente é fatal. Atualmente, o diagnóstico é efetuado por eco-Doppler cerebrovascular, com estudo das artérias carótidas e vertebrais.
Na presença de estenose carotídea grave deve ser sempre instituído tratamento médico (farmacológico) apropriado e ponderada intervenção cirúrgica que consiste na remoção da lesão e desobstrução da artéria.
À semelhança de outras áreas, também na cirurgia carotídea se tem evoluído no sentido de tratar a obstrução de forma menos invasiva, menos traumática e com menor tempo de recuperação. É hoje usual a intervenção ser efetuada com anestesia local através de uma incisão bastante reduzida.

– Lavar diariamente os pés com água morna e secá-los bem, especialmente entre os dedos;

– Observar diariamente os pés, recorrendo se necessário a um espelho ou a um familiar e verificar se existem alterações da cor, bolhas ou ulcerações;

– Aplicar creme ou loção hidratantes;

– Cortar ou mandar cortar as unhas a direito e não rentes;

– Não permitir que tratem os seus calos sem recorrer a um profissional habilitado;

– Certificar que os sapatos que vão calçar não contêm no seu interior objectos perfurantes ou cortantes; os sapatos a calçar devem ser de pele macia, largos e sem laços ou tiras a apertar;

– Usar sempre sapatos com meias e evitar andar descalço;

– Não utilizar meias muito apertadas, com elásticos ou costuras;

– Não usar botijas de água quente ou aquecedores na cama;

– Observação periódica médica especializada para avaliar o estado da circulação.

A hiperhidrose é uma doença benigna que se caracteriza por uma sudorese (transpiração) excessiva. O suor é um mecanismo essencial para a regulação da temperatura do nosso organismo, sendo controlado pelo Sistema Nervoso Autónomo e como tal não dependente da nossa vontade. Quando a produção de suor ultrapassa as normais necessidades de termo-regulação, o que acontece em cerca de 1% da população geral, causa grandes incómodos aos seus portadores. Aparece habitualmente na infância, mais frequentemente no sexo feminino, e tem tendência a agravamento dos sintomas na fase da puberdade.
Manifesta-se habitualmente por uma sudorese excessiva das palmas das mãos, axilas, plantas dos pés, região dorsal inferior e face (por vezes associado a rubor intenso), em conjunto ou com predomínio acentuado de uma região em particular. Este quadro, particularmente quando o predomínio se verifica nas palmas das mãos e axilas, altera a forma como estes doentes se relacionam com o “mundo exterior”. Com efeito, estas pessoas têm dificuldade no contacto social, evitam escrever porque molham o papel, evitam cumprimentar as pessoas, pegar em objectos, trabalhar no computador, conduzir porque têm medo que o volante fique escorregadio. Mancham frequentemente a roupa (aparecimento de auréola a nível axilar), molham as meias que permanecem húmidas ao longo do dia, não gostam de usar sandálias ou sapatos abertos porque são visíveis as manchas de suor. Todo este quadro, que se agrava pelo calor e stress e cessa durante o sono, pode causar transtornos psicológicos graves, uma vez que há uma tendência para o isolamento social para esconder o problema.
Por tudo o que já foi exposto resulta que a hiperhidrose é mais importante e mais difícil de tolerar quando é mais acentuada a nível das palmas das mãos e axilas. Também é nestas zonas que o tratamento é mais simples e eficaz. Quando se pretende um tratamento definitivo, este consiste na simpaticectomia torácica superior que consiste na remoção de fibras do sistema nervoso autónomo responsáveis pela inervação destas zonas e situadas na cavidade torácica. Este procedimento é efectuado no mesmo tempo cirúrgico para os dois lados, através de um ou dois pequenos orifícios (1 cm) na zona da axila (vídeo-toracoscopia), o que resulta muito bem do ponto de vista estético. O resultado é imediato e o doente tem alta no próprio dia ou no dia seguinte com as mãos completamente secas e preparado para regressar à sua vida normal, sem limitações. Há uma percentagem significativa de doentes que refere uma redução acentuada da sudorese a nível da planta dos pés. Também se pode verificar em determinados casos o aparecimento do fenómeno de “hiperhidrose compensatória”, assunto que deve ser previamente abordado com o cirurgião.

Esta situação, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, é responsável por significativa mortalidade e morbilidade. Ocorre mais frequentemente nas veias da perna e nomeadamente à esquerda. A maioria dos doentes não apresenta sintomas, mas quando estes estão presentes os mais frequentes são a dor, edema, sensação de peso, alteração da coloração e da temperatura do membro, incapacidade funcional parcial, que se instalam habitualmente de forma súbita. Este quadro clínico pode progredir no sentido ascendente e tem como principais complicações na fase aguda a embolia pulmonar e a gangrena venosa, que pode levar à amputação do membro e a elevada mortalidade. Na fase tardia, a complicação mais frequente é a síndrome pós-trombótica que causa enorme repercussão social e laboral, e que se pode caracterizar por dermatite pigmentada principalmente na perna, lipodermosclerose, edema de predomínio vespertino, varizes dos membros inferiores e úlcera ativa ou cicatrizada. O exame diagnóstico de confirmação mais frequentemente utilizado, por ter elevada sensibilidade, especificidade e não ser invasivo é o ecodoppler ou angiodinografia venosa.
Alguns fatores de risco importantes são: idade avançada, gravidez, uso de contraceptivos orais, obesidade, varizes dos membros inferiores, neoplasia, traumatismo e estados de hipercoagulabilidade. Quando em presença destes últimos poderá ser necessário efetuar estudo genético, e se positivo, estudar também irmãos e filhos para prevenção. O tratamento em fase aguda e de manutenção, pelo menos por 3 a 6 meses, está assente fundamentalmente na anticoagulação. Os fármacos de primeira linha incluem os novos anticoagulantes orais e nalgumas situações heparina de baixo peso molecular.
Atualmente é possível tratar a grande maioria dos doentes em ambulatório, só sendo necessário internamento em situações muito específicas. Esta patologia exige vigilância médica especializada regular e controlo ecográfico periódico de acordo com o quadro clínico.

A síndrome da classe económica, assim chamada devido à sua associação com viagens prolongadas em espaço confinado, como é o caso da classe económica ou turística nos aviões, consiste no aparecimento de trombose venosa profunda (TVP) durante ou pouco tempo após uma viagem prolongada. Isto poderá estar relacionado com o facto de estarmos sentados e imobilizados durante períodos longos. Em viagens de avião outros fatores para além da imobilidade prolongada poderão estar implicados (embora não esteja provado definitivamente que assim seja), tais como: pressão reduzida na cabine, níveis de oxigénio reduzidos no avião e desidratação ligeira por não se beber água em quantidade suficiente. Deve ser enfatizado que a grande maioria dos viajantes não irá apresentar qualquer problema. O risco de TVP provocado por uma viagem é pequeno, contudo é sensato tentar reduzi-lo, particularmente se se é portador de algum fator de risco conhecido.
Durante uma viagem longa, particularmente de avião, em viagens intercontinentais, deve exercitar-se os músculos da perna regularmente (30/30 min.), esticar e encolher os dedos do pé e o próprio pé enquanto sentado; passear ao longo do corredor do avião quando a tripulação o permitir; beber bastante água (para evitar desidratação); não beber demasiado álcool; considerar o uso de meias elásticas até ao joelho; algumas pessoas com risco elevado poderão ser aconselhadas a tomar medicação anticoagulante, devendo para tal procurar apoio médico especializado.

A síndrome pós trombótica dos membros inferiores consiste num conjunto de alterações que podem ocorrer, a longo prazo, após uma trombose venosa profunda (oclusão de uma veia profunda por um trombo).
Após tratamento adequado, geralmente o trombo recanaliza. No entanto, em muitos casos ficam sequelas que numa fase tardia levam, gradualmente, a alterações resultantes do aumento da pressão de retorno do sangue venoso dos membros inferiores. De salientar também que quanto mais alto o nível da trombose, mais graves são os sintomas.
Na síndrome pós-trombótica dos membros inferiores é possível observar:
1 – Aumento do volume do membro afetado. Após a fase aguda da trombose venosa profunda, geralmente o edema regride apenas parcialmente.
2 – Sensação de cansaço e peso nas pernas, com agravamento no fim do dia;
3 – Aparecimento de varizes;
4 – Pigmentação escura da pele na região do tornozelo e outras manifestações cutâneas (como eczema e fibrose) que a tornam gradualmente mais frágil e suscetível a infeções e traumatismos;
5 – Ulceração da pele na região do tornozelo (com ou sem infeção). A cicatrização dessas úlceras geralmente é lenta e dependente da adesão dos doentes aos tratamentos prescritos.
Para evitar o aparecimento e progressão desta doença crónica pode ser recomendado:
– Uso diário de uma meia elástica de compressão adequada devendo sempre ser colocada ao levantar e retirada ao deitar;
– Repouso intermitente das pernas com a sua colocação numa superfície elevada a aproximadamente 30 graus;
– Colocação dos pés da cama numa posição mais elevada que a cabeceira (para drenagem venosa durante a noite);
– Evitar o uso de roupa apertada;
– Evitar estar de pé de forma estática durante longos períodos;
– Evitar peso corporal excessivo;
– Higiene, hidratação e proteção da pele adequados;
– Em caso de úlcera da pele deverá recorrer de imediato ao seu médico;

Deve-se realçar a importância da terapêutica prescrita na fase aguda da Trombose Venosa Profunda porque os sinais de doença venosa crónica secundária podem levar anos a aparecer, dando a falsa sensação de que a doença estabilizou.

Linfedema é o aumento do volume de uma determinada região do corpo devido a uma deficiente drenagem do sistema linfático. Este sistema é responsável pela recolha dos líquidos extravasados pelos vasos sanguíneos no espaço intersticial; estes líquidos (linfa) são reintroduzidos na corrente sanguínea pelos vasos linfáticos. Clinicamente, o Linfedema caracteriza-se pelo aumento assimétrico do diâmetro de um membro associado a edema e alterações das características habituais da pele. O Linfedema pode ser classificado em:

– Primário – provocado por alteração ou obstrução congénita do sistema linfático.

– Secundário – alteração do sistema linfático secundária a uma causa conhecida.

Depois de estabelecido o linfedema, o tratamento é difícil e pode necessitar de apoio de uma equipa multidisciplinar.

As estratégias terapêuticas baseiam-se em:

1 – Controlo dos fatores de risco – combatendo a obesidade, o sedentarismo e as infeções;

2 – Drenagem linfática – é executada por técnicos especializados e consiste em técnicas de massagem compressiva, sendo realizada de forma progressiva, e orientada pela localização anatómica dos canais linfáticos. Outra técnica é a pressoterapia realizada com mangas insufláveis de compressão programada;

3 – Contenção não elástica e elástica – ligaduras (elásticas ou com cola de zinco) ou meias elásticas que condicionam uma contenção progressiva dos membros afetados. Estas são utilizadas após uma drenagem eficaz;

4 – Terapêutica medicamentosa – as infeções da pele combatem-se com antibióticos. Outros fármacos, como diuréticos, anticoagulantes ou venoativos, são também utilizados nesta patologia em situações específicas;

5 – Terapêutica Cirúrgica – a cirurgia é reservada a casos selecionados e consiste em técnicas de remoção de pele em excesso ou de reconstrução linfática por microcirurgia. Ambas apresentam resultados pouco satisfatórios e apenas deverão ser realizadas em centros de referência.

A complicação mais evidente do linfedema é a alteração morfológica e estética do membro afetado, o que condiciona uma mudança de imagem corporal e provoca alterações psico-sociais importantes, se tivermos em conta que a maioria destes doentes são do sexo feminino.